segunda-feira, 20 de maio de 2013

Eu vi...Mas as outras pessoas não viram...Então o que era?



Quando aquele ônibus passou por mim, estranhei mesmo o fato de ser tão velho, em tal alta velocidade, cheio de pessoas em pé...E todas me olhando...Mas esse detalhe, só percebi depois...


                                                 Aconteceu comigo


Estávamos no ano de 1983 e o frio era muito forte. Eu já era casada e já tinha a minha filha mais velha, que estava com dois anos de idade. Morávamos em um desses conjuntos habitacionais, construídos a beira de rodovias. Naquela época, o único transporte para o centro da cidade e outros bairros, que tínhamos disponível, era o ônibus coletivo. Esse conjunto habitacional, fica à beira da Br 050, mas hoje em dia moro em um bairro mais central. Para chegar do centro da cidade a esse conjunto, o motorista, fazia um trajeto, onde passava por grandes bairros da cidade e finalmente, chegava ao cemitério São João Batista, onde se iniciava uma grande avenida, na época ainda não asfaltada, mas sem nenhum buraco e era toda recoberta com cascalho, pois brevemente o asfalto a estaria cobrindo. Essa avenida que hoje em dia ostenta belos condomínios de casas de luxo, na época era feia e deserta, não tinha estradas vicinais nem loteamentos, apenas um expeço matagal que a ladeava, portanto, os veículos que ali trafegavam, ou iam até o fim ou retornavam do ponto que estivessem, não tinha como entrar por ruas laterais como hoje em dia ela tem. No início da avenida, ficava o cemitério, no fim ficava a Br e essa avenida deve ter uns dois quilômetros de extensão, mas não estou muito certa disso, apenas sei que ela é muito grande, mas pode ser maior ou menor que isso.
 Naquele dia, fazia muito frio e eu decidi ir visitar meus pais que moravam bem distante dali em outro bairro. Meu pai naquela época ainda era vivo. Arrumei minha filha, me arrumei e fui para o ponto do ônibus. Assim que o ônibus, chegou, me assentei em um banco do lado direito e uma conhecida sentou-se a meu lado. Naquela avenida, nessa época é claro, os motoristas não costumavam seguir à risca as regras de mão de direção, justamente por ela ser praticamente deserta, trafegavam onde lhes convinha, uma hora pela esquerda outra pela direita, talvez procurando chão mais plano. Em um certo momento, o motorista fez uma dessas manobras e passou para a contra mão, nesse instante, eu que estava olhando para fora do ônibus, vi aquele outro ônibus velho e sujo, em alta velocidade, que cruzara também pela contramão. Imediatamente, calculei que era por isso que o motorista passou para o outro lado, porque o outro ônibus vinha pela contramão. Estava lotado de pessoas estranhamente sérias, muitas em pé no ônibus. Assim que terminamos de cruzar com aquele ônibus, voltei para a minha amiga que estava ao lado e disse: que estranho, esse ônibus que passou por nós, tão velho e em tão alta velocidade e ainda por cima na contramão, para cruzar com nosso ônibus. Ela me olhou, como se eu estivesse louca e falou: você enlouqueceu? Não passou nenhum ônibus por nós! Eu disse: é claro que passou! Me levantei rápidamente e corri a olhar no vidro traseiro do ônibus, pois naquela época, eles ainda não tinham essas propagandas que não nos deixam ver atrás e eu veria o ônibus indo na estrada atrás de nós, pois ele ainda teria que rodar um bom pedaço de avenida até alcançar a rodovia.
E para minha surpresa, não havia nenhum ônibus na avenida. Mas como aquilo seria possível? Eu sabia o que acabara de ver! Não vi apenas o ônibus, mas também as pessoas que estavam nele. Nesse momento, as pessoas que estavam ao nosso redor, já estavam sabendo do ocorrido e apenas me olhavam intrigadas. Então falei para minha amiga. Sabe quando o motorista, jogou o ônibus na contramão? Então! Foi nesse momento que o ônibus passou. Ela respondeu em tom de zombaria: Inês, fique quieta, porque você só está piorando as coisas. O motorista, não arredou um só milímetro de sua mão.
Fiquei assustada com o ocorrido e comecei a perguntar se alguém havia visto aquele ônibus além de mim e a resposta era sempre negativa. Fui à frente do ônibus e mesmo correndo o risco de ser dada como louca, perguntei ao motorista, se ele vira algo e a resposta, vocês já sabem.
Fiquei muito chocada com tudo aquilo. Estava louca? Se não estava, o que foi que eu vi? E porque vi?Então enquanto o ônibus rodeava a rotatória do cemitério, para ganhar uma outra avenida, bem movimentada, eu começava a me lembrar melhor do ocorrido. Espera! Aquelas pessoas, olhavam literalmente para mim e eu não havia percebido isso antes. Porque? O que queriam de mim? Quem eram elas? São perguntas que me faço até hoje. Mas rezei, sejam quem for eu rezei por aquelas pessoas.
Um tempo mais tarde, alguém se lembrou, que naquela avenida há alguns anos antes, havia tido um acidente de ônibus, com várias pessoas mortas...

*Muita gente, já viu coisas estranhas. Algumas contam, outras têm medo de contar e serem dadas como louca. Eu arrisco o meu pescoço em contar, mas é a mais pura verdade... 

Acredite quem quiser, ou tiver algo parecido para contar....

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Faço pintura em tecidos crochê entre outros.Amo o que faço...